Minha linda princesinha,
Era uma vez uma linda princesinha chamada Maria Luísa... e é sempre assim que começo uma historinha que me vem ao pensamento quando te vejo. No entanto, princesinha, que estranho é este meu pensamento pois ele não me habita o cérebro, mas o coração e, assim, não lhe escrevo aqui: apenas coloco na ponta dos dedos este pequeno arremedo de berceuse silente, todo para ti.
E como te gosto, pequenina Maria, que também é Luísa, e que brilha, que ri, que balança os bracinhos, menina-passarinho que és...
Voa, Maria Luísa!
E como me comovo contigo, pequenina, que tens nos olhos o mais doce e meigo olhar para mim que já existiu... És tu que me colocas no colo quando te abraço...
Abraça-me sempre, Maria Luísa!
E como me surpreendes, meu pequenino bem-me-quer-que-também-te-quero-bem, quando adormeces lua e despertas sol, quando sorris noites e dias e mundos em teu gostosíssimo e delicado gargalhar, quando te impões porque fome e sede sentes, porque amor queres, tu que já o tens para espalhar, porque procuras por mim...
Estarei sempre aqui, Maria Luísa!
Do alto, apenas quando me encontro de pé, pequenininha, és pepita, és diamante encontrados. Curvo-me, porque te quero perto, junto ao peito, junto ao amar que te tenho, e pego-te no colo. E é quando amanhece em mim, Maria Luísa... quando alcanço mais longe porque te desejo feliz, linda e plena...
Por vezes, desafino em canto que te embala, mas, esperta que és, adormeces logo porque colas o ouvido no lado esquerdo de mim. Faço-o de propósito porque te sei sabida, te sei menina, te sei bebê... Também o fazes tu porque me sabes louco por ti. O que tu não sabes é que, então, me deixas menino também...
E como me enche de alegria ver-te igualmente em sono, retrato da paz, botãozinho recolhido. Deito-te depois e tu dormes de bruços e abres teus bracinhos para teus lados... Vislumbro pássaro que descansa em vôo... sei que planas... sim, eu sei... traduzes o encantamento, a terra dos sonhos em teu velado sorriso e sou eu que me deleito, que me abstraio e ganho alturas...
E sabes de outra coisa, princesinha? Não há nenhum momento em que eu te ame mais do que no sempre que te amo muito. Hoje, 31/12/98, é quase noite de teu primeiro Ano Novo. Não poderia deixar de dizer-te o que te digo, especial que és, emocionado que estou: apenas sei que virás e poderei ter-te em meu colo e olhar em teus olhos que me vestem de seda... e é quando me fazes rei.
Estou feliz, princesinha, porque logo estarás aqui.
Em toda a tua originalidade, dentro de algum tempo, serás ainda um bebê já de outro século... E eu, esse teu tio bobo e encantado, radiante porque existes, poderei contar-te, então, mais uma vez, alegre e sempre enternecido, a história do era uma vez, no século passado, uma princesinha chamada Maria Luísa..., enquanto me puxas as orelhas, me apertas o nariz e me arrancas os óculos antes de dormir, confiante e exausta de tanta alegria.
Hás de ser feliz, disso tenho certeza, porque linda. Amada já o és.
Obrigado por este quase um ano de ternura-menina.
- José P. di Cavalcanti Jr. - |
