- Sorte, a dos pássaros -

( Para Eberth F. Vêncio )




( Como no cinema que,
além de ser possível cronometrar-se
os sentimentos, a vida,
consegue-se alterar-lhes o tempo,
traduzindo, fora de foco,
a idéia Passado-Futuro
pelo simples recurso de apertar-se um botão,
acelerando ou retardando as seqüências,
avançarei em direção ao momento
em que me encontro diante de uma janela,
limítrofe a um espelho.


É quando alcanço
que a incandescência das luzes e a escuridão
são iguais, a mesma coisa:
ambas cegam.


Se necessário,
quem isto ler poderá,
à guisa de animar as palavras,
correr até o fim do texto e voltar a este ponto.
Assim,
não só movimentará a narrativa
como terá conferido às imagens
e à minha expressão
uma forma de fluir e um significado
que, amiúde, não lhes consigo emprestar.
Ou talvez as anulem,
deixando-as cair.
Secas. Qual folhas.
Como pomagens excessivamente maduras.
Passadas. Como nada.
Mero desperdício de contrastá-las
com a palidez de florestas dizimadas e comprimidas.
Sem seiva. Sem alma ).


Sorte, a dos pássaros, que não escrevem.

Voam.




- José P. di Cavalcanti Jr. -












Texto 33 - Copy & Copyright de todos os textos: José P. di Cavalcanti Jr.


E-mail                  E-mail                  E-mail